
O paciente deve ser visto como um todo! Mas o que dizer desta frase se o mundo moderno vem evoluindo para super especialização? E na medicina o que acontece? Cada vez mais médicos se defrontam com uma enormidade de informações e pesquisas e tendem a estudar pontos mais específicos dentro de suas áreas de atuação, surgindo o desafio de integrar estes conhecimentos em pró do indivíduo.
Neste contexto e vivendo dentro de uma sociedade “estressora”, a ciência do século XXI demonstra que a ansiedade, medo ou otimismo são mais do que sentimentos. São estados fisiológicos capazes de afetar a saúde, tanto quanto a obesidade ou o sedentarismo. Sendo assim temos hoje um novo ponto de interesse que é a Medicina Mente-Corpo, área estudada por um médico americano Herbert Benson, fundador do Mind Body Medicine do Hospital Geral de Massachusetts, ligado à Universidade de Harvard. Ele vem estudando o comportamento do cérebro de monges meditando desde o início dos anos 70. A base de tudo é a resposta de cada organismo ao estresse.
Quando o cérebro registra uma ameaça real ou imaginária (um barulho, por exemplo), ele ordena que o organismo entre em ação. Esta resposta é chamada “ Lutar ou fugir” e o que ocorre no estresse agudo é uma liberação intensa de adrenalina, noradrenalina e cortisol, o que gera aumento da pressão arterial, da freqüência cardíaca e respiratória, da tensão muscular, dilata a pupila para melhorar o campo visual, além de mandar sangue extra para pernas e braços.
Contudo, se o estresse for crônico, o cortisol fica circulando em grandes quantidades na corrente sanguínea e este é o grande perigo, já que enfraquece o sistema imunológico, pode interferir na ovulação e por conseqüência na fertilidade, aumenta o risco de acúmulo de gordura nas paredes das artérias, aumentando a chance de doenças cardíacas e cerebrais. Ou seja, quando nosso sistema de alerta fica funcionando sem parar, surgem as doenças e o paciente chega ao médico com queixas como: dificuldade de memória e concentração, problemas dermatológicos, alteração do sono (tanto excesso quanto falta),taquicardia, transpiração excessiva, irritabilidade constante, choro fácil, sentimento de cansaço não justificado...
Se você freqüentemente luta para adormecer ou acordar no meio da noite e não consegue volta a dormir, sofre de insônia. Esta é uma condição potencialmente grave e que rouba do seu corpo o descanso que ele necessita para se refazer física, mental e emocionalmente. Uma forma típica de insônia ocorre quando você acorda durante a noite, percebe que está “ligado” enquanto deveria estar dormindo e, em seguida, fica ansioso porque prevê que o dia seguinte será longo. A ansiedade inunda o organismo com adrenalina e deixa o corpo pronto para ação, o oposto que você necessita para um sono reparador.
O estresse é uma das principais causas de alteração do padrão do sono levando tanto à insônia aguda como a crônica pode ser causado por pressões no trabalho, obrigações familiares, problemas de saúde, depressão, ansiedade, entre outras coisas. Pesquisadores já mostraram que o estresse cria incoerência entre os ritmos do coração e, quando nosso coração fica fora de sincronia, os padrões normais de sono podem ser alterados. Além da adrenalina, o cortisol é outro hormônio liberado pelas glândulas suprarenais que, quando em excesso mina o sistema imunológico, piora a sua memória e facilita o ganho de peso já sabe que dormir pouco aumenta o nível.
Se você se identificar com o que foi dito aqui, procure gerenciar seu nível de estresse experimentando técnica como meditação, yoga, respiração, biofeedback, terapia cognitiva comportamental e praticar atividade física regularmente.
Em suma, encaro atualmente a medicina como uma conciliação da convencional que usa medicamentos e cirurgias com técnicas de Meditação, Biofeedeback, Terapia cognitiva-comportamental entre outras para assim ouvir o paciente e seus sintomas com a finalidade de obter um diagnóstico correto, usando todos os recursos científicos e tecnológicos para o êxito terapêutico, mas acima de tudo o objetivo é ajudar cada um destes indivíduos a descobrir seu próprio “médico interior” e mostrar caminhos de estilo de vida que não geram doença física e mental, mas sim saúde global.

